Se você já abasteceu com gasolina que julgou ser "oxigenada" - algo comum na maioria das áreas urbanas no inverno - então você já utilizou gasolina que contém MTBE. Esta sigla significa éter metil-terciário butílico, uma molécula razoavelmente simples criada a partir do metanol. 

O MTBE passou a ser adicionado à gasolina por dois motivos:

  • ele eleva a octanagem;
  • ele é um aditivo oxigenado, ou seja, acrescenta oxigênio à reação durante a queima. Por definição, um aditivo oxigenado reduz a quantidade de hidrocarbonetos não-queimados e monóxido de carbono no escapamento.
O MTBE começou a ser acrescentado à gasolina em larga escala depois que a Lei do Ar Limpo de 1990 entrou em vigência nos Estados Unidos. A gasolina pode conter de 10 a 15% de MTBE.

O principal problema com o MTBE é que ele é considerado cancerígeno e mistura-se com a água facilmente. Se ocorrer um vazamento de gasolina com MTBE de um tanque subterrâneo em um posto, ela pode entrar em contato com a água freática e contaminá-la. É claro que o MTBE não é a única substância a entrar em contato com a água freática no caso de vazamento - o mesmo ocorre com a gasolina e com uma série de outros aditivos, mas nos últimos anos o MTBE ganhou destaque.

De acordo com esta página no EPA (em inglês):

    "Embora não haja uma regulamentação estabelecida sobre a água potável, o Departamento de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos publicou uma recomendação quanto à água potável de 20 a 40 microgramas por litro (µg/L) de MTBE com base nos limites de sabor e odor. A concentração dessa recomendação tem como objetivo fornecer uma ampla margem de segurança quanto aos efeitos não-cancerígenos, e está na faixa das margens tipicamente utilizadas para efeitos cancerígenos potenciais".
A substância que tem mais chances de substituir o MTBE na gasolina é o etanol anidro, ou seja, o álcool etílico normal sem água. Ele é um pouco mais caro do que o MTBE, mas não representa uma ameaça de câncer. Em alguns estados americanos a gasolina já contém 10% de etanol, a chamada gasohol, em vez de MTBE, estando todos os motores aptos a funcionar com essa mistura. No Brasil, o MTBE foi banido em setembro de 1991 e, desde então, toda gasolina deve conter de 20 a 25% de etanol anidro por força de lei federal. Em contrapartida, é necessário calibração específica dos motores de automóveis e outros tipos de veículos a gasolina que rodam no território nacional.

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