Gerações

Autor: 
Jeff Tyson

Os NVDs existem há mais de 40 anos. Eles são classificados por geração. Cada mudança substancial na tecnologia do NVD estabelece uma nova geração.

  • Geração 0: sistema de visão noturna original criado pelo Exército dos Estados Unidos e usado na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coréia. Esses NVDs usam infravermelho ativo. Isso significa que uma unidade de projeção, chamada Iluminador IV, é conectada ao NVD. A unidade projeta um feixe de luz infravermelha próxima, similar ao facho de uma lanterna normal. Invisível a olho nu, esse facho se reflete em objetos e volta para a lente do NVD. Esses sistemas usam um ânodo em conjunto com o cátodo para acelerar os elétrons. O problema dessa abordagem é que a aceleração dos elétrons distorce a imagem e diminui muito a vida do tubo. Outro grande problema com essa tecnologia em seu uso militar original é que ela foi copiada rapidamente por nações hostis, o que permitiu que os soldados inimigos usassem seus próprios NVDs para ver o feixe infravermelho projetado pelo dispositivo.
  • Geração 1: a geração seguinte de NVDs deixou de lado o infravermelho ativo e passou a usar o infravermelho passivo. Chamado antigamente de Starlight (luz das estrelas) pelo Exército dos EUA, esses NVDs usam a luz natural fornecida pela lua e pelas estrelas para aumentar as quantidades normais de infravermelho refletidas pelo ambiente. Isso significa que eles não requerem uma fonte de luz infravermelha projetada. Também significa que eles não funcionam muito bem em noites nubladas ou sem luar. Os NVDs da Geração 1 usam a mesma tecnologia de tubo intensificador de imagem da Geração 0, com cátodo e ânodo, de modo que a distorção da imagem e a curta vida útil do tubo ainda eram um problema.
  • Geração 2: grandes otimizações nos tubos intensificadores de imagem resultaram nos NVDs da Geração 2. Eles oferecem uma resolução e desempenho otimizados em relação aos dispositivos da Geração 1 e são consideravelmente mais confiáveis. O maior ganho da Geração 2 é a capacidade de enxergar em condições de iluminação extremamente baixas, como uma noite sem luar. Essa sensibilidade aumentada se deve ao acréscimo da placa de microcanais ao tubo intensificador de imagem. Como a MCP na verdade aumenta o número de elétrons em vez de apenas acelerar os originais, as imagens são significativamente menos distorcidas e mais brilhantes do que as dos NVDs da geração anterior.
  • Geração 3: a Geração 3 é usada atualmente pelos militares dos EUA. Apesar de não apresentarem mudanças substanciais na tecnologia de base em relação à Geração 2, esses NVDs possuem resolução e sensibilidade ainda melhores. Isso ocorre porque o fotocátodo é feito usando arsenieto de gálio, muito eficaz na conversão de fótons em elétrons. Além disso, a MCP é revestida por uma barreira de íons que aumenta muito a vida útil do tubo.
  • Geração 4: o que é conhecido como Geração 4 ou tecnologia "sem película e controlada" mostra uma otimização global significativa em ambientes de baixo e alto nível de iluminação.

    A remoção da barreira de íons da MCP que havia sido acrescentada na tecnologia da Geração 3 reduz o ruído de fundo e, portanto, melhora a proporção entre o sinal e o ruído. Na verdade, remover a película de íons permite que mais elétrons atinjam o estágio de amplificação, de modo que as imagens são significativamente menos distorcidas e mais brilhantes.

    O acréscimo de um sistema de alimentação de energia com controle automático permite que a voltagem do fotocátodo ligue e desligue rapidamente, possibilitando que o NVD responda instantaneamente a uma flutuação das condições de iluminação. Essa capacidade é um avanço crítico nos sistemas NVD, pois permite que seu usuário mude rapidamente de ambientes de alta iluminação para outros com pouca luz (ou vice-versa) sem qualquer oscilação. Por exemplo, considere a onipresente cena de cinema em que um agente usando óculos de visão noturna é "cegado" quando alguém acende uma luz nas proximidades. Com o novo recurso de alimentação controlada, a mudança na iluminação não teria o mesmo impacto: o NVD otimizado responderia imediatamente à mudança de iluminação.

Muitas das chamadas lunetas de visão noturna "baratas" usam a tecnologia da Geração 0 ou Geração 1 e podem ser decepcionantes se você espera obter a mesma sensibilidade dos dispositivos usados por profissionais. Os NVDs das gerações 2, 3 e 4 geralmente são caros, mas duram muito se forem manuseados de modo apropriado. Além disso, qualquer NVD pode se beneficiar do uso de um Iluminador IV em áreas muito escuras onde quase não há luz ambiente para captar.


Foto cedida pela B.E. Meyers Company
Os NVDs são fabricados em uma variedade de estilos, incluindo aqueles que podem ser instalados em câmeras

Algo legal a fazer é observar se todos os tubos intensificadores de imagem comercializados passam por testes rigorosos para ver se atendem às exigências estabelecidas pelos militares. Os tubos aprovados são classificados como MILSPEC (de especificação militar). Os tubos que falham em atender as exigências militares em qualquer categoria são classificados como COMSPEC (de especificação comercial).